O Planejador de palavras-chave do Google (Keyword Planner) é a fonte de referência sobre a demanda de busca: um serviço gratuito dentro do Google Ads que mostra com que frequência uma frase é pesquisada, que consultas se relacionam com ela e como o interesse varia por mês e por localização. Para o SEO, é o ponto de partida de qualquer coleta de palavras-chave. Mas conferir frase por frase na interface toma tempo demais, então a coleta é automatizada: carregam-se listas de consultas e baixam-se em massa os volumes e as ideias relacionadas.
O artigo dá continuidade à série sobre web scraping em SEO. Vejamos que dados cada fonte oferece, como transpor a metodologia clássica de trabalho com volumes e com que ferramentas fazer isso.
Que dados de demanda são coletados
Do Planejador de palavras-chave extraem-se, para cada consulta semente:
- a lista de ideias de palavras-chave relacionadas e sua média mensal de buscas;
- o detalhamento por mês, que revela a sazonalidade da demanda;
- a segmentação por localização e idioma, imprescindível para separar mercados;
- o nível de concorrência publicitária e as estimativas de lance, úteis para distinguir as consultas comerciais.
O Google Trends completa o quadro com o interesse relativo (um índice de 0 a 100), a comparação entre termos e o detalhamento regional: ele não fornece volumes absolutos, mas mostra tendências, picos e sazonalidade com mais resolução.
A metodologia clássica de depuração de volumes também se transfere. O papel dos operadores é cumprido aqui pelos tipos de correspondência do Google Ads — ampla, «de frase» e [exata] — ao filtrar listas e calcular previsões, e as palavras-chave negativas excluem tudo o que não interessa. Leve em conta, além disso, que o Planejador agrupa variantes próximas (singular e plural, erros de digitação), de modo que duas formulações diferentes podem compartilhar o mesmo volume.
Faixas, arredondamentos e API: o que saber antes de coletar
Nas contas sem investimento publicitário suficiente, o Planejador mostra os volumes como faixas amplas (de 10 a 100, de 1000 a 10 000) em vez de números concretos. E as médias, mesmo as precisas, são arredondadas e agrupam variantes próximas, por isso convém confrontá-las com as impressões reais do Google Search Console quando o site já recebe tráfego.
Para grandes volumes existe a API do Google Ads: ela permite solicitar ideias de palavras-chave e métricas históricas em lotes e integrar a coleta aos seus próprios processos. Exige uma conta do Google Ads e um token de desenvolvedor, e é especialmente prática para agências e equipes que processam dezenas de milhares de consultas.
Para o scraping, isso significa uma coisa: as ferramentas precisam ser mantidas em dia. O Google ajusta com regularidade a interface, os limites e as políticas de acesso, e, depois de cada mudança, uma coleta mal mantida «para». É uma das razões pelas quais vale delegar a coleta de volumes a quem verifica diariamente se os próprios coletores continuam funcionando.
Com o que coletar volumes de busca
Google Keyword Planner — o caminho básico e gratuito: ideias a partir de consultas semente ou da URL de um site, detalhamento mensal e por localização, exportação para CSV para processar os dados fora da interface.
API do Google Ads — a mesma informação em modo programático: ideias e métricas históricas em lotes, coletas agendadas e integração com o seu armazém de dados.
Google Trends — sazonalidade, comparação de termos e geografia na forma de um índice relativo; ideal para escolher entre formulações rivais e detectar demanda emergente.
Ahrefs — Keywords Explorer com volumes por país, dificuldade de posicionamento e milhares de ideias por consulta; útil também para ver as palavras-chave da concorrência.
SEMrush — Keyword Magic Tool com filtros por correspondência e grupos temáticos, bases de dados por país e exportações em massa.
Google Search Console — não propõe ideias novas, mas mostra as impressões e os cliques reais do seu próprio site: o melhor contraponto para validar os volumes estimados.
Onde os dados de volume são usados depois
Os volumes de busca são a camada de base do conjunto de palavras-chave: eles se combinam com as sugestões do Google e com a coleta de buscas por mercados durante a coleta completa de palavras-chave. As frases coletadas e agrupadas determinam a estrutura do site e os titles e cabeçalhos que você acabará escrevendo. E o efeito do posicionamento nessas consultas é controlado com o acompanhamento de posições.
Se, além disso, você precisar analisar os resultados das consultas coletadas — quem está no topo e como os snippets são construídos —, isso é a extração da SERP do Google, um serviço à parte da agência.