As sugestões de busca (autocompletar) são as variantes de consulta que o Google mostra na própria barra de busca enquanto o usuário digita. Para o SEO, são uma das fontes de palavras-chave mais valiosas: as sugestões se formam a partir de buscas reais, atualizam-se quase diariamente e refletem de maneira excelente as formulações «vivas» de praticamente qualquer temática. Coletar o autocompletar é uma etapa obrigatória para construir uma lista de palavras-chave completa.
Este artigo faz parte da nossa série sobre web scraping em SEO. Aqui veremos como funciona a coleta de sugestões, quais ajustes importam e com quais ferramentas fazê-la.
Por que as sugestões são uma fonte à parte, e não um substituto do Keyword Planner
Muita gente acha que o Planejador de palavras-chave do Google cobre toda a demanda. Não é assim. O Keyword Planner mostra estatísticas de volumes de busca, mas a base do autocompletar vive à margem dessa base de palavras-chave e muitas vezes contém formulações que ali não figuram ou que custam muito a «sair». As sugestões capturam especialmente bem as consultas longas (long tail), as formulações coloquiais e as tendências recentes — para confirmar a dinâmica destas últimas serve o Google Trends. Por isso, em uma coleta de palavras-chave completa, o autocompletar e o Keyword Planner se complementam, não se substituem.
Uma nuance importante: entre as sugestões se infiltram frases geradas automaticamente que quase ninguém busca. Por isso, depois da coleta, é preciso passar as frases por uma verificação de volumes de busca — caso contrário, a lista se encherá de frases ocas.
Como funciona a coleta de sugestões
A lógica é parecida em todas as ferramentas. Você carrega uma lista de frases base e o coletor vai acrescentando caracteres a elas e guardando as variantes que aparecem na lista suspensa. Por baixo, quase todos consultam o endpoint público de sugestões do Google — o mesmo que os navegadores usam: suggestqueries.google.com/complete/search, que recebe a consulta e devolve a lista de sugestões. Os parâmetros essenciais do processo:
Varredura de caracteres. À frase base acrescenta-se um espaço e, em seguida, um a um, letras e algarismos: [a-z], [0-9]. Cada caractere abre um bloco novo de sugestões. Quanto mais ampla a varredura, mais completo o resultado — mas também mais ruído.
Profundidade da coleta. Com profundidade 1, coletam-se sugestões apenas para as frases de partida. Com profundidade 2, as frases encontradas no primeiro passo voltam a entrar como consultas e para elas coletam-se sugestões de novo. A profundidade 3 dá a cobertura máxima: consultas de volume alto, médio e uma quantidade enorme de long tail. Para a maioria dos projetos, basta uma profundidade de 1--2; a 3 fica reservada para quando é preciso esgotar um nicho.
Idioma e país. As sugestões dependem do idioma e do mercado, então são configuradas para cada projeto (no endpoint, o idioma é indicado com o parâmetro hl, por exemplo hl=pt-BR).
Palavras de parada. Uma lista de palavras que corta a coleta: se o coletor encontra uma sugestão com uma delas, não aprofunda por aquele ramo. Assim se economiza orçamento e descartam-se de antemão as frases irrelevantes.
Com que coletar sugestões: panorama de ferramentas
Keyword Tool (keywordtool.io) — provavelmente o serviço online mais conhecido construído sobre o autocompletar: para cada frase base gera centenas de variantes long tail e, além do Google, cobre YouTube, Bing e Amazon. Uma opção prática quando se precisa de uma coleta ampla sem brigar com proxies.
AnswerThePublic — pega as sugestões do Google e as agrupa em perguntas, preposições e comparações, com uma visualização em forma de mapa. Mais do que para uma coleta massiva, serve para descobrir intenções de busca e ideias de conteúdo a partir do autocompletar.
Ubersuggest — nasceu justamente como coletor de sugestões do Google e hoje é uma suíte de SEO leve: às ideias vindas do autocompletar acrescenta volumes de busca e métricas de dificuldade. Vai bem para começar e para tarefas pontuais.
Ahrefs e SEMrush — as grandes plataformas de SEO incorporam as sugestões de busca como mais uma fonte em seus relatórios de ideias de palavras-chave. Convêm quando você já trabalha nelas: a coleta, a verificação de volumes e o agrupamento ficam dentro de uma única ferramenta.
Um coletor próprio — para volumes muito grandes ou uma lógica fora do padrão, escreve-se um script que consulta o endpoint público com a varredura de caracteres e a profundidade necessárias. A mecânica é simples; o difícil é fazer isso em escala: pausas, proxies e controle de duplicados para que o Google não corte as requisições.
Onde as sugestões são aproveitadas depois
As sugestões coletadas são matéria-prima. Depois é preciso limpá-las, verificar seus volumes com o Keyword Planner e combiná-las com as demais fontes dentro de uma coleta de palavras-chave completa. Uma parte das frases do autocompletar servirá de base para novas seções do site — e, portanto, influenciará a estrutura do site e os titles e cabeçalhos que você redigir para as suas páginas.
Se você precisa analisar não só as sugestões, mas também os resultados que o Google devolve para essas consultas — quem está no topo e como os snippets são construídos —, isso já é tarefa da extração da SERP do Google, que oferecemos como serviço à parte.